Formação de preço: um processo complexo e abrangente



A formação de preços é muito mais do que o simples processo de acumular custos e acrescentar  uma margem de lucro. Com muita frequência, a formação de preços é tratada de forma simplista, sendo o maior cuidado não deixar escapar nenhum item do custo.

 

 Para que o preço calculado produza consequências satisfatórias no curto, médio e longo prazo, alguns princípios devem ser observados. É importante lembrar que erros no processo de formação de preços podem   não ter efeitos negativos  sobre a empresa apenas  no curto prazo. A longo prazo, esses erros trarão consequencias de alguma forma.

 

 Os principais princípios a serem observados  na formação de preços são os seguintes:

 

 1. Distribuição dos custos comuns entre produtos e serviços

 

 Em linguagem técnica a distribuição dos custos comuns é denominada rateio dos custos indiretos. Esta é  uma das tarefas mais difíceis de executar porque qualquer critério de rateio escolhido sempre conterá algum grau de subjetividade. Mesmo o tão aclamado método de custeio denominado ABC (Acitivity Based Costing ou custeio baseado em atividades) está longe de resolver o problema.

 

 O melhor a fazer é escolher o critério de rateio mais aplicável às características da empresa e do processo de produção ou operação, mas sem perder de vista que o objetivo final do rateio é  que o total dos custos comuns (custos indiretos) seja coberto. Isso significa que a empresa tem uma grande liberdade para fazer a distribuição dos custos comuns e não precisa ficar refém de critérios de rateio,  principalmente  nas decisões de preço aplicáveis ao  curto prazo.

 

 2. Volume de produção   para cálculo do custo unitário  

 

Várias parcelas de custo são primeiramente  conhecidas pelo seu valor   total e este deve ser dividido pelo volume de produção ou operação para se chegar ao custo unitário. Por exemplo,  o custo de administração imputável a um certo produto é primeiramente conhecido pelo seu valor total, geralmente referido a um dado período de tempo. Depois  disso,   será escolhido um volume de produção ou operação  para cálculo do  custo unitário. Mas que volume de produção ou operação deve ser considerado para esse fim?

 

 Em boa parte dos sistemas de controle interno, o volume de produção  escolhido é a produção verificada.  Como esses sistemas geralmente têm por objetivo a apuração de resultado, esse procedimento  não traz problemas. Entretanto, para fins de formação de preço, o volume  a ser considerado é aquele para o qual os custos foram assumidos. Isto significa que para fins de formação de preço, deve ser considerada a capacidade de produção e não a quantidade  que foi produzida. Alguns ajustes podem ser feitos sobre a capacidade de produção (inclusão de um fator de ociosidade natural, por exemplo).

 

 3. Tributação 

 

 Um dos itens formadores do custo e portanto, do preço, são os impostos incidentes sobre o  resultado da empresa, como é o caso do Imposto de Renda e Contribuição Social das empresas tributadas pelo  sistema de lucro real. Por sua vez, o resultado a ser estimado dependerá, entre outros fatores,  do próprio preço que está sendo calculado, o que gera alguma circularidade no cálculo do preço.

 

Nas empresas incluídas no Super Simples, a alíquota de tributação em cada mês depende do faturamento nos doze meses anteriores. Assim, para estimar adequadamente a alíquota média de tributação ao longo de uma ano, é necessário trabalhar com um período de vendas  de vinte e quatro meses, sendo doze realizados e doze projetados.

 

Estes exemplos indicam que a  formação de preço é não é processo de cálculo exato, mas sim  estimado.

 

 4. Tratamento dos custos variáveis não padronizados  

 

 Na maioria dos casos, os custos variáveis são bem padronizados.  Por exemplo, na fabricação de um modelo de mesa, o custo da madeira  usada pode ser calculado de forma bastante precisa.  Por outro lado, para uma empresa varejista que aceita  vários tipos de cartão de débito, de crédito, vale refeição, cada um deles tem um custo diferente. Por esse motivo, para achar o percentual de custo  desse tipo de venda em relação ao total, é necessário  que se estime a parcela de venda recebida para cada tipo de cartão. Será preciso  usar a série histórica de dados  e ajustá-la a eventuais tendências futuras para poder projetar o percentual médio desse tipo de custo variável em relação às vendas e,  consequentemente, ao preço.

 

 5.  Inclusão de todos os custos de oportunidade  

 

 Os denominados “custos não caixa” precisam ser incluídos e, além disso, serem computados corretamente. Por exemplo, nas pequenas e médias empresas, o valor do pró-labore dos sócios costuma ser baixo (um salário mínimo) por razões de economia tributária. Entretanto, o valor real do trabalho desses sócios (custo de oportunidade)  pode ser bem maior do que o pró-labore que  formalmente é pago. Assim,   o verdadeiro valor do trabalho dos sócios  deve ser considerado para fins de formação de preço.

 

 Em geral, o  custo oportunidade mais significativo  é o custo  do capital investido. Ele deve ser incluído com o uso do método do retorno do investimento em lugar do tradicional mark up. Além disso, deve ser usada a depreciação econômica e não a depreciação linear. (Veja http://www.ief.com.br/forpreco.htm#erros0).  

 

6.  Distorção do objetivo da formação de preços  

 

 O processo de formação de preços não deve buscar transformar a empresa numa repassadora de custos. Deve ter, antes de tudo, o objetivo de análise de preços que eventualmente poderá  mostrar que a empresa não tem competitividade para oferecer aquele produto ou serviço.

 

 Vejamos um exemplo. Uma empresa, por motivo de dificuldades financeiras, está com seus equipamentos de produção operando além da vida  útil recomendada. Em consequência, terá custos elevados de manutenção e custos decorrentes de perdas com paradas não programadas. Nessas condições, seu custo será mais elevado do que o de seus concorrentes que operam com os equipamentos dentro da vida econômica. O preço encontrado nessas condições deveria sinalizar que essa empresa perdeu sua competitividade (função análise) ao invés de ser imposto ao mercado.

 

 Conclusão:   

 

 O   processo de formação de preços é naturalmente abrangente e complexo e, por isso, bastante desafiador. A não aceitação desse fato conduz habitualmente a decisões erradas. Em muitos casos, as conseqüências de decisões erradas de preço não se fazem sentir de imediato. É exatamente nesse ponto onde a precificação incorreta pode ser mais danosa para a empresa.

 

FONTE: http://www.ief.com.br (Instituto de Estudos Financeiros)





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